terça-feira, abril 15, 2008

Um sonho, de uma noite: você chegaria em uma livraria, enorme, bonita, e me encontraria sentada em meio a desconhecidos. Seu coração não dispararia, como nunca disparou, mas você ensaiaria um sorriso e iria ao meu encontro. 'Oi, você se lembra de mim?'. Eu, no entanto, daria um sorriso sincero, fecharia um pouco os olhos, como boa míope que não usa óculos e diria: 'Não'. Você entenderia e continuaria andando.

Um sonho, de uma vida: Eu acordaria amanhã sem tristeza nenhuma, olharia no espelho e a sua imagem ia sumindo. Olharia as nossas fotos e você, aos poucos, não estaria lá. Meu corpo ia perdendo seu cheiro, minhas mãos perderiam a forma das suas e se acostumariam com as outras que as seguram. Meu corpo não teria marca alguma, e eu não sentiria dor quando ouvisse as músicas que eu sempre gostei de ouvir. Embaixo das minhas unhas eu só teria uma poeira aleatória vinda do móvel sujo e não pedaço da tua pele. Eu já não escrevia na esperança desesperada que você lesse e muito menos falaria desamparado sonhando que você me ouvisse. Eu não sentiria saudade, nem passaria os meus dias futuros revivendo os passados. Eu não lembraria seu rosto, nem o modo como sorria de lado, nem como você cantava errado música nacional. E quando um dia me perguntassem de você eu diria: 'Não sei de quem você tá falando'. E seria verdade. Eu não saberia, ainda que ouvir teu nome enchesse meu peito de uma felicidade esquecida.

Sonhos.
São sempre sonhos.
Mudam-se apenas os sonhadores e as camas. Do mais, são sempre sonhos.

Dream, a little dream.

2 comentários:

Joseph disse...

sonho e so sonho .
a vida e sempre cheia de sonhos. lutar pelo sonho so si vale a pena, muito . lina

Karen disse...

tem vezes (quase todas) que o que vc escreve dói mais que tapa.