terça-feira, dezembro 11, 2007

Nada, absolutamente nada. Silêncio. Eram cinco da manhã. Você ainda tava dormindo. Tão lindo, parecia exausto. Eu não aguentei, mesmo sabendo que talvez você acordasse eu lhe beijei. Não foi de leve e você nem se mexeu. Fiquei aliviada já que não tinha lhe incomodado. Beijei de novo. E de novo. Seu rosto, sua boca, seu pescoço. Beijei seu peito, sua barriga e você, novamente, nem se mexeu. Ainda dormia seu sono cansado. Comecei a falar com você. Falei tudo o que eu sentia. Como o seu silêncio eterno me incomodava. Sua frieza estava me deixando maluca. Eu ia endoidecer se a nossa vida a dois fosse o monólogo da minha insegurança. E a platéia? A platéia ia morrer de tédio. Você ia morrer de tédio. E o que menos queria era lhe entediar. Eu precisava que você falasse. Você nunca disse nada. Todos os outros sempre disseram, mas você nada. Eu sentia que a culpa era minha, talvez eu lhe sufocasse com essa minha obsessão ridícula pelo amor. Tentei parar, eu juro. Mas quando você encostava em mim, tudo voltava a ser lindo e eu precisava falar. Afinal as coisas só existem quando são contadas. Por segundos, pensei em lhe esquecer. Mas só de pensar em pensar fiquei sem ar, sem vontade, sem mim. Eu liguei: era sua chance de me dizer tudo que você nunca disse. Você disse que ia me ver, e só. Você veio. A gente se beijou, como sempre, com aquele beijo que sabemos que é melhor porque é nosso. Eua já ia começar a falar do meu dia, da minha semana, falar que te amava. Falar...e, eu não falei. Não sei porque mas não falei. Nã foi vingança, eu sabia que o meu silêncio não lhe incomodava. Parecia interminável aqueles segundos sem palavra nenhuma, e eu me desesperei, achei que você tivesse dormido. Quando eu ia me virar pra dormir quando você deitou em cima de mim e disse (sim, disse!) : "gosto de ouvir seu coração". Você deve ter me achado ridícula naquela hora, porque meu coração disparou, rápido. Você nem disse nada, ainda bem. Aos poucos fui me acalmando e entendi o seu silêncio. Todos haviam falado, mas só você que entendia o silêncio ouviu meu coração. Seria piegas se não fosse literal. Eu perdoei todas as vezes que eu esperei uma declaração sua e não ouvi. Você sorria, mas não dizia nada. Eu nunca lh amei tanto quanto quando entendi que você, na verdade, sempre disse muito mais que eu, sem falar nada. Absolutamente nada.

2 comentários:

B disse...

[...]

brincadeira... ou não...

A verdade é que o silêncio grita!

;)

Maria disse...

clap clap clap!
teria um monte pra dizer, mas mantenho o silêncio também.
belo, sábio e extremamente confortante tudo o que escreveu.
beijos, Rosa!