quarta-feira, dezembro 28, 2011

e livrai-nos do Djavan, amém.

Não que eu tenha algo contra o senhor Djavan, acho os dreads dele uma graça, na verdade. O que me cansa, a ponto de me dar gastura, é o aspecto Djavan que os lugares, as pessoas e até as comidas adquirem. Explico: todo barzinho que toca Djavan - e vocês sabem que são maioria - o negócio parece que vai impregnar. Olhe para o lado, o casal que pediu uma porção de batatas fritas (chopp pra ele, caipisakê de kiwi pra ela) não se olha, não se deseja, na verdade, eles nem queriam estar ali, mas assim, com o Djavan tocando ao fundo, suportam melhor a companhia um do outro. Eu levo a sério, mas você disfarça ela canta enquanto balança os ombros e olha pro namorado da moça ao lado e diz: "precisa beijar desse jeito em público?", mas queria, ai como ela queria, que a mão do moço alheio (e desejar isso é pecado) tivesse na coxa dela. Se você se esticar um pouco o corpo para aliviar o peso da borda recheada de cheddar que acabou de comer vai notar que o tio mala da grande família reunida na mesma à esquerda já abriu o botão da calça e canta, como se fosse um poema concreto, aquele velho refrão sem sentido
Pai e Mãe
Ouro de mina.
Coração, desejo, sina. 
Ele não percebe que não faz o mínimo sentido o que ele acabou de cantar. Ele percebe menos ainda que a cueca esfolada fica ridícula exibida assim, por entre uma camisa velha e um botão escancarado. 
Se nessa altura do campeonato você tivesse perdido a fome, ela voltaria com o cheiro de alho queimado que a porção de contra-filé da mesa pediu: confraternização da empresa, o típico momento Djavan. O chefe, bom homem, já espiou doze vezes o decote da secretária enquanto mandava por sms pra namoradinha adolescente do mackenzie que amar é um deserto e seus temores. No fundo, esse velho e tão pouco sábio homem não percebeu que ela insiste em zero a zero enquanto ele ainda espera o um a um
Cada um, cada um, sei lá o que te dá que não quer meu calor. Essa é minha parte predileta, que o colega mala vai fazer bullying com a sócia baranga e cantar sorrindo para o peguete dela: São Jorge por favor me empresta o dragão. Ela ri, e pra mostrar que é uma baranguinha nerd e descolada, clama aos quatro ventos "gente, essa parte não faz sentido, braille é uma língua não tem japonês em braille". Boa, baranguinha descolada, a gente sabe que é muito mais legal saber língua que ter peito, pena que só a gente sabe. Djavan é mais morno que chuveiro no 3, mais sem graça que a top model magrela na passarela da pior música do zeca baleiro.
Levante-se, pessoa cansada de Djavan. Levante-se e pague a conta, e eu vou te perdoar se por um acaso seus pés marcarem o compasso da música. Acontece, são os sinais, e a pizza que te confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro.  Devora quem, Seu Djavan? Gente morna assim não devora, no máximo degusta. E que gente chata é essa que petisca ao invés de comer com vontade, né? Tudo bem, vou parar de reclamar dos seus versos sem sentido, principalmente daquele que diz teu olhar não me diz exato quem tu és porque diz sim, e mais que o meu olhar, ah, seu Djavan, meu gosto musical diz muita coisa...

3 comentários:

Carol disse...

eu sempre detestei djavan.

bruno mendes disse...

pior que barzinho djavan é boteco jorge vercillo, porque ainda tem o dididaun didibi didiuru dendoun dounreun

Vinicius disse...

Fiquei agora vislumbrando um mundo livre de Djavan...