terça-feira, setembro 08, 2009

Maria nasceu quando a barriga da mãe nem tinha formato de ovo gigante. A Páscoa, mesmo, tinha passado e Maria, apressada, nasceu no mês de maio, já que ser taurina era bem melhor que nascer no mês do tal santo casamenteiro. Maria não podia ser dessas mulheres com jeito de virar Santo Antônio, que casar num era bem com ela, não. Maria, ainda que antes da hora, nasceu grande: menor do que o pai esperava e maior do que a mãe queria. Ai! Gritou a mãe, e Maria saiu pro mundo chorando e rindo, como seria o resto da vida. Maria era mais feliz quando o pai esticava os braços e subia com ela no colo. Ela ficava lá no alto, no colo do homem mais bonito do mundo. Depois ela ia descobrir que José não era assim tão alto, mas ainda assim era lindo, o homem mais bonito do mundo. Ele alimentou Maria e Maria José mastigou, ruminou e vomitou o mundo. Nunca mais parou de comer vida.

Maria cresceu achando que essa coisa do mundo girar não era muito a toa e um dia ficou girando as horas todinhas pra entender os motivos do mundo. Lia, que era a melhor mãe do mundo, e portanto, devia entender, disse que o mundo, esse que gira, não tem motivo pra girar. Lia sabia das coisas, até quando Maria ficava triste. Então, Marilia aprendeu que o mundo era mesmo desmotivado e não tinha porquê. Parou de girar, que ela, Marilia, andava precisando de motivo.

Chegou um dia que Ele chegou. A verdade é que um dia Ele chegou mesmo e ela achou que nem ele e nem esse dia ia chegar. O mundo agora podia parar, desmotivadamente, de girar. Mas não parou. Maria que nasceu no mês de maio resolveu que não era tão má idéia esse negócio de ficar junto. Ele olhava pra ela de um jeito que era como se o corpo dela subisse prum lugar tão alto que nem o gigante da história da Lia alcançava. Maria tinha medo de altura, mas subiu com o dedinho dado com Ele praquele lugar que nada precisa girar, nem com nem sem motivo.Praquele lugar onde o cheiro dele toma conta de tudo e tinha lugar até pro corpo grande e apressado dela. Naquele lugar que só ele conhecia chovia o dia inteiro que era pra abençoar aquele abraço. É um lugar onde ela diz e ele escuta, onde ela ama e Ele aceita. Onde ela deita e ele dorme. Onde Ele diz até sem falar palavra nenhuma. Lá ele diz e ela entende. Porque é um lugar que só cabe Maria e Ele, e só com Ele Maria ainda era só Maria, e o mundo tinha porquê girar.

2 comentários:

Cassio Cons disse...

Será que esse lugar existe mesmo ou o próximo texto vai se chamar "Nascimento e morte de Mariele"?

Beijos, pequena!

tati m. disse...

bonito, bonita!