segunda-feira, maio 28, 2007

E que de súbito sentiu um formigamento subir-lhe pelas costas deixando-a num frenesi incompreensivelmente bom. Deixou estar. Mesmo que achasse estranha tal sensação gratuita. Sem estímulo físico. Sem, sequer, um pensamento apropriado. Era um arrepio que não constitua sentimento nenhum. Só sensação. A sensação do arrepio, causada, pelo arrepio. Porque arrepiava-se de pensar em arrepiar. E aprendeu a, voluntariamente, arrepiar-se. Mentiu, porque era próprio dela mentir. Bem como toda pessoa que sabe arrepiar voluntariamente. Até porque não tem como uma pessoa que arrepia sem motivo não ser mentirosa. E sem tesão e nem verdade arrepiou. Todas as vezes que lhe pareceu conveniente arrepiar-se. E gemeu. Quando foi preciso. Quando foi útil. Quando não foi. E tanto arrepiou-se que, no dia de seu enterro, fecharam seus olhos, e desmancharam seu sorriso mórbido com uma dúvida cruel a intrigar os funerários, mortos se arrepiam? Paradoxal.

5 comentários:

Caio disse...

sem comentários né Bud xP
desculpa aquela hora não ter falado nada sobre o texto... com ou sem criatividade, seus textos são d+, a gente lê, pensa, mas depois acaba tendo que ficar voltando em cada detalhe pra entender td =D
não sei o pq do arrepio,gemido,etc mas ela teve seus motivos xD
mas ainda assim, acho que devido um certo repúdio por textos, prefiro suas fotos...saudades delas..e de vc, claro =D
te adoro, bjão

max disse...

Até quando péssima, você é ótima. Você tem a caracteristica de escrever. Nem sempre sai como queremos, como temos em mente. Mas tá lá, a idéia, bem passada.
Você escreve divinamente, isso é fato [=

tássio disse...

e quem é que se arrepia assim?
asijeaeisjsea

=*

aini disse...

teu blog é muito muito bom! viciei.
parabens!

Reuchlin disse...

O vício é uma coisa democrática. Eu o compartilho.